terça-feira, 21 de julho de 2009

Palavreando...

Todas as palavras têm
boca e não falam. Mas o
silêncio delas grita. Mas
o que sei é que a palavra
de um poeta tem que ter
substância dele. As palavras
têm que ter aflições
e sonhos.
(Manuel de Barros)



Coisa bem bonita, né? As palavras são carregadas de força, de aflições e sonhos, como disse o poeta. Não são ditas impunemente, revelam e escondem desejos. Há explícito no implícito, há implícito no explícito. Guetos, turmas, ambiências e vivências: nenhuma sai em vão. Ou confessam, ou escondem. Sempre com alguma intenção, nunca com neutralidade. Mas, ao dizer isso, qual minha intenção? Com certeza não é a de passar a imagem de "pensadora" antes de abrir minha boca, cometo muitas gafes, falo demais quando seria melhor calar, deixo de dizer o que tinha vontade... mas acredito nas palavras. Acredito quando me dizem "me faz bem, vou te procurar" e gostaria que acreditassem no que eu digo (às vezes até eu me espanto com meu discurso, mas quando vejo que a prática costuma respeitá-lo, me alivio); aliás, poucas coisas me incomodam tanto quanto não acreditarem no que digo. Não sou atriz, não tenho intenção de fazer da vida um laboratório, não tenho intenção de me enganar, assim como também não sou modelo de conduta. Se quero, quero e digo. Se não quero, não quero e digo (Tá, de vez em quando enrolo pra dizer um não, mas acabo dizendo). Às vezes quebro a cara, às vezes assusto, às vezes não sou entendida, mas mantenho a fé nas palavras, mesmo perdendo em quem as diz. Simples assim. Pois, seguindo uma "janela" do Galeano, do livro Palavras Andantes:


Em guarani, ñé~e significa "palavra" e também significa "alma".
Creem os índios guaranis que os que mentem a palavra, ou a dilapidam, são traidores da alma.

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